quinta-feira, outubro 20, 2011

Professoras de trânsito.






Você já viu ou ouviu falar de um engarrafamento de formigas? Ou de um acidente sério envolvendo uma “batida” na trilha do formigueiro? Pois é, a entomologista Audrey Dussutour, da Universidade de Sydney (Austrália), bem que tentou por oito anos e não conseguiu. Aparentemente, acidentes de trânsito não ocorrem no mundo desses pequenos seres, apesar de fluxos de dezenas de milhares de formigas de correição carregando seus pedacinhos de folhas cortadas serem bastante comuns. Isso porque há um padrão nos fluxos de “ida e volta” do formigueiro que faz com que as operárias não colidam umas com as outras. Em vez de obter um engarrafamento, a cientista descobriu uma perfeita sequência algorítmica do tráfego desses insetos. A descoberta é sensacional e pode servir de base para facilitar o nosso trânsito. Melhor ainda, pode ajudar na invenção de um sistema de condução de veículos sem motoristas, operados apenas por computador. “Essencialmente, a proposta é entregarmos a direção dos nossos veículos a um sistema de inteligência coletiva que os conduziria do ponto de partida ao destino final”, conta Marcus Randall, matemático e criador de softwares da Universidade de Bond (Austrália). Na última pesquisa, publicada em fevereiro deste ano na revista Journal of Experimental Biology, a equipe de Audrey observou que as formigas que saem da colônia dão, automaticamente, passagem àquelas que voltam carregadas. Na fila das que retornam à colônia existem aquelas que não trazem carga. Em vez de ultrapassarem as que estão transportando alimento – e que por isso ficam mais lentas –, essas operárias caminham pacientemente atrás delas. Essa estratégia pouco convencional para os humanos (afinal, quem fica feliz em reduzir a velocidade quando está preso atrás de um caminhão lento?) diminui o tempo de percurso. Imagine uma formiga com uma folha pesadíssima nas costas baixando ainda mais a velocidade para outra passar, correndo o risco de derrubar as demais do caminho estreito; isso seria muito mais catastrófico do que aguardar a passagem do fluxo. Esse tipo de comportamento é muito diferente daquele que os humanos costumam exibir no trânsito. As formigas instintivamente investem no bem da colônia, enquanto o homem prioriza o indivíduo. “O principal fator do congestionamento no mundo humano é o egoísmo”, diz Andreas Schadchneider, teórico de fluxo de trânsito da Universidade de Colônia (Alemanha). “Os motoristas visam à otimização do seu próprio tempo de viagem, não se importando com as outras pessoas.”




Fonte: Revista Planeta

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