sexta-feira, outubro 21, 2011

Eles adoram aparecer.

Não há picadas de agulha nem pílulas coloridas. O barato do momento não envolve aditivos químicos, mas pode causar dependência. Seduz homens e mulheres de várias idades e é acionado pelo clique de um flash ou pela luzinha vermelha de uma câmera de vídeo. "Eu gosto de ser vista e admirada, sim. Não digo que é uma coisa sexual, mas é um prazer enorme. É mais que uma sensação de poder", diz a musa do Carnaval carioca, Luma de Oliveira, uma das maiores especialistas brasileiras no assunto. Desde que o artista plástico Andy Warhol previu, na década de 60, que "um dia todo mundo será mundialmente famoso por 15 minutos", cada vez mais pessoas passaram a buscar seus 900 segundos de glória. Para estudiosos da sociedade, o mundo nunca foi tão vaidoso. "Se o outro não o reconhece, você não existe. A medida de seu valor não é o que você é, mas o que os outros acham de você", considera a antropóloga Mirian Goldenberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nesse contexto, tornar-se uma celebridade significa ascensão a um "nível superior". O famoso, automaticamente, passa a ser reconhecido como alguém especial. Esse é um paradigma que já se disseminou. Nas turmas de adolescentes, por exemplo, hoje interessa menos ser "a mais bonita" ou "a mais inteligente" do que ser "a popular". A garota popular é a que tem mais amigos, a que recebe mais convites para festas. E popularidade é, em certa medida, fama. Celebridades, na definição do escritor americano Daniel Boorstin, são hoje "pessoas famosas por ser famosas". Há vários caminhos para atingir essa condição. Alguns conseguem isso porque são ricos, outros porque exploram um belo corpo. Existem hoje agências especializadas em administrar o comportamento de pessoas que simplesmente querem ser famosas, como profissionais liberais e empresários.






Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que achou do post acima? Deixe sua opinião aqui e ajude o blog a crescer.